Passeava por praias e mares azuis. Terra pisada por Muçulmanos entre o séc. XVII e séc. XVIII. Sagres e Alzejur, o que se esconde por entre falésias? um quadro de beleza pura. Nada poderia apresentar-se mais perfeito entre as minhas amadas havaianas cor-de-rosa e a linha do horizonte tão concreta e definida. Mentira, o horizonte é um momento, o momento mais longínquo a que os meus olhos chegam. Um património. A minha terra é uma património. Vale tanto em beleza como em conteúdo.
Os tempos passados fascinam-me. Procuro neles a sabedoria de pessoas de um talento assustador. Pessoas que vivem para sempre. Pessoas que transportam tanta coisa boa. Pessoas que orgulham e que investem em realidades como a Arte.
Raúl Solnado, 79 anos, vida repleta de emoções e sabedorias. Um homem que sino ter sido um pilar da cultura, da minha cultura e do meu entusiasmo pela arte de ser quem não sou. O teatro e o actor são as minhas palavras. Hoje dorme menos uma pessoa nesta Lisboa. Lisboa que ele tanto amava e vivia. Raúl Solnado- um lisboeta, um homem do saber, uma referência, um marco, uma pessoa que amava ser português, viver em Lisboa e ser actor.
Um olhar que não se esquece. Um brilho. Uma vida de se tirar o chapéu. "Façam o favor de ser felizes." Obrigada!

Um pequeno bocadinho da beleza que se esconde por detrás das pequenas coisas. Entre o rosa da natureza, as placas indicam o caminho... a aventura continua. Percorremos calçadas que perguntam quem somos. Entramos em ambientes repletos de cheiros característicos. É Portugal, uma parte de Portugal vivida pelos velhos e descoberta pelos novos. Tantos pormenores e tantos sinais. Adoro viver o Portugal autêntico, encontrar entre montes pequenas praias vivas de pessoas bonitas e tantas casas pequenas e baixas repletas de um horizonte promissor. E quando a máquina se ocupa da paisagem avassaladora surge sempre o que nos faz parar, uma outra realidade e uma imagem forte em sentimentos... uma bicicleta de outros tempos que transporta um senhor. Senhor de pele escura e gasta pelo sol e pela vida, de camisa grossa que faz contraste com a boina cizenta que proteje os fracos cabelos brancos do vento violento e vago que corre sem direcção ou vontade. Vales e montes escondem a paz que mais falta me faz quando percorro as estradas da cidade agitada! Aqui o rosa brilha e sente-se como rosa!



Período conturbado! Novas experiências... algumas más e outras muito boas. Faz parte! Este último mês foi repleto de novas ideias e velhos sentimentos. Um ano de aulas que se revela bem sucedido, a vontade de voar rumo às Filipinas a aumentar, o anjo Tia Belarmina a ganhar asas, uma casa para montar e muitos livros para encaixotar, uns dias de férias com as amigas (sim, só com as amigas!), uma cabeça cheia de ideias próprias e alheias sobre o destino profissional da minha pessoa, muitas espectativas sobre o tempo futuro, muitos receios alimentados por questões actuais, muita vontade de criar e descobrir, muitos livros de Filosofia para pôr nas prateleiras pintadas de fresco pelo Adriano e ainda malas para fazer...o destino: Vale da Telha, Arrifana, Costa Vicentina! É onde estou agora escrevendo como se não houvesse amanhã. Tantas coisas que gostava de partilhar, mas tão poucas as que se querem dar a conhecer!
Sou assim, um pouco confusa e um pouco estranha! Adoro escrever, adoro ouvir o que têm dito sobre a minha caneta mágica que se entrelaça nos meus dedos e dá asas ao mundo da palavra, ao meu mundo do sentir. Mas algo me retrai. Ainda não descobri o quê... mas acho que as palavras que uso são muito “minhas”. Perdão! As palavras não são minhas, são do vento e do mundo. Mas quando escrevo não fantasio, não uso a imaginação...sou apenas eu. Os meus sentimentos, as minhas descobertas, os meus medos e os meus amores. É por isso que não sinto necessidade de descrever os meus dias, o que fiz ou que disse. Isso não me interessa. Interessa-me o que sinto e o que senti nesses momentos que estão tãoperto e tão longe ao mesmo tempo.
Descobrir o meu caminho tem sido a minha ocupação de férias. A minha cabeça não para. E não para de ponderar que futuro escolher! Estou feliz porque tenho tempo. É verdade, que único é poder dizer que sinto que tenho tempo. Tempo para mim. Tempo para ler. Tempo para escrever. Tempo para desenhar. Tempo para imaginar. Tempo para reflectir. Tempo para relembrar. Tempo para sentir o que não sentia sabendo que sentia. Tempo para olhar. Tempo para observar. Tempo para projectar. Tempo para chorar. Tempo para rir. E tempo para perceber que sempre tive tempo mas nem sempre tive sentidos e coração para dar valor ao tempo, para viver o tempo e amar a palavra “tempo”. Para onde vou? Não sei. Uma hipótese será continuar a percorrer a estrada do Tempo.

Praia da Amoreira, 1 de Agosto, (fim do dia)

Praia da Amoreira, 1 de Agsto (fim do dia)

Lua, 1 de Agosto , Arrifana/Aljezur

Praia da Amoreira, 3 de Agosto (manhã)


As férias são o momento ideal para redescobrir aquilo que tanto amámos descobrir. Já ultrapassa os dedos das mãos, porém é sempre uma experiência inesquecivél. Ir sozinha à Baixa é um encanto, um remédio para o espírito mas é tão bom ir à Baixa com a minha avó... ela conhece, ela sabe, ela viveu, viveu uma Baixa diferente, uma Baixa em que cada porta era a porta, a porta para mil retalhos e mil agulhas que preenchiam serões e serões ao som da telefonia. Voltei para casa rica em "retalhos" lindos! Pormenores a transformar! Umas pequenas prendinhas que vou fazer e pendurar num pombo correio que vai rumo às Filipinas. Ah, no meu saco de compras vinham também dois metros de renda e oitenta centímetros de entremeio...para o vestido que vou levar ao baptizado do Gui! Espero conseguir aplicar tudo direitinho!
Como seria de esperar tivemos de dar um saltinho ao MUDE- Museu do Design e da Moda. Gostei bastante! Senti que faltava qualquer coisa, um fio condutor. Aquelas são apenas algumas das muitas peças da colecção e talvez por isso tenha ficado a ideia de que ainda está tudo muito fragmentado. Mas com toda a certeza peças fantásticas com um forte predominio da assinatura Dior!!! Estas foram algumas das fotografias que tirei...mas vou partilhar as minhas aquisições mais logo...

Finalmente livre! Terminaram os exames, acabaram as aulas, chegou ao fim o 11º ano! Ainda não acredito. Empenhei tudo neste ano e a verdade é que estou de rastos...preciso mesmo de férias! Tenho vontade de fazer tanta coisa... tenho vontade de ver tantas coisas. Acho que sinto essa necessidade porque estou muito confusa e baralhada. Há um ano atrás eu não sabia o que queria, qual seria o meu destino no final do secundário. "O que é que queres ser quando fores grande?" a minha resposta era NÃO SEI! Entretanto este ano já estava mais confiante e decidida. Não tinha um curso em concreto, mas já sabia qual era o rumo. De um momento para o outro tudo se demoronou. As certezas diluiram-se em mil hipóteses! E tudo porque a minha professora, possívelmente a professora da minha vida, deu um ar da sua graça, presentendo-me com aquele olhar e aquelas palavras. A minha última aula de Filosofia, enquanto uns choravam de alegria, eu chorava de saudade. Tenho a certeza de que os dois anos de Filosofia que tive foram determinantes na minha vida. Abri os olhos para o mundo. Dois anos alteraram muito a minha postura perante os outros. Como o estado de malancolia já me dava "voltas" à barriga, tive o prazer de descobrir quem eu era e tudo o que eu tinha de melhor e mais forte perante os olhos daquela pessoa que eu admiro tanto! LETRAS! Oh, meu Deus! Tenho pensado muito, sei que não é isso; de qualquer forma sei que existem outras opções que respiram através de LETRAS... essas sim me têm causado muitas dúvidas. Falta um ano para eu escolher! Odeio dizer isto mas tenho medo que todos os meus sonhos não se realizem... é tão difícil fazer o que se gosta... mas tenho esperança! Pelo menos acredito que é possível viver e sonhar, e um dia ver esse sonho tornado realidade. Para isso é preciso viver e alimentar os nossos desejos e esperanças. Quero dar os paços certos. Viver e Viver. Aproveitar todos os sinais! Todas as respirações...
É mais do que possível, é crucial para qualquer criança ou qualquer poeira...
A minha criação!!!
Olho para o roupeiro e não me agrada! Apetece-me qualquer coisa diferente. Nova e velha, original e comun! É isso mesmo, vou reciclar! Vou adaptar! E assim nascem os meus ténis manchados! É verdade que não são inspiradores para usar todos os dias...ou talvez sejam inspiradores a mais, e o roupeiro não consegue acompanhar diariamente a estalica dos meus ténis. Sim, estes são mesmo meus! Não se coloca a questão dos meus "adorados" pés após um dia exaustivo se cruzarem com uns desconhecidos que "vestem" a mesma roupa. Adoro fazer este tipo de coisas às peças mais velhas que tenho em casa e que já cairam no esquecimento. Até ao dia em que a inspiração me leva a rencontrá-las!!!
Exposição de Artes, Caricaturas das personagens de Os Maias, de Eça de Queirós.
O nosso Ega está descansado, feliz e contente na casa da professora de Português. I miss you...
Um esforço para que o boémio não se deixe levar pela força do vento.
Cá está ele! Ai esse bigode... O lado direito e o lado esquerdo... A imagem que fazemos do amigo de Pedro da Maia, a personagem mais interessante, uma grande personagem (à qual o manual apenas dedicou uma página): JOÃO DA EGA!!!
Não se lê muito bem! As imagens ainda não valem por mil palavaras. De um mísero excerto de uma página retiramos as poucas palavras que cabiam nesta curta cartolina.
"O esforço da inteligência neste sentido terminou por lhe influenciar as maneiras e a fisionomia; e com a sua figura esgrouviada e seca, os pêlos do bigode arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito- tinha alguma coisa de rebelde e satânico (...) embebedava-se com carrascão (...) com o braço erguido atirava injúrias a Deus."
Eça de Queirós, in Os Maias, cap.IV
Em dia de Santo António nada poderia ser mais agradável do que o cheiro a mangericos!!!
Ontem passei a noite na companhia da minha televisão, viciada em marchas populares, e do meu amável computador louco por novas descobertas. Viajei, viajei e surgiram-me mil e uma ideias diferentes. Coisas que gostaria de fazer neste momento, ou melhor num momento que já passou. Ver coisas bonitas faz-nos sentir como um pássaro livre e solto que paira em ideias e sonhos. Adorava ter mais tempo. Tempo para fazer. Fazer tudo e não fazer nada. Mas o que a vida nos mostra é que o tempo depende de nós, depende de nós o uso que lhe damos. Mas eu acredito que estas férias vão ser muito produtivas. Tenho muita vontade de perceber, de me inspirar e de crescer aproveitando o que as pessoas que estão à minha volta têm para oferecer ao Mundo e a mim.
Hoje sinto falta dos meus anjinhos, queria que estivessem ao pé de mim. Ai, ai, como o tempo corre depressa quanto à vontade e voa tão lentamente no que diz respeito à saudade.
Relíquias em Retalhos foi um nome que surgiu naturalmente. Todos nós guardamos relíquias em nós. Para mim os momentos e as memórias são as maiores relíquias da minha existência. Mas essas "relíquias" não se mostram, não se dão ou pelo menos não na sua totalidade. Apenas podemos partilhar bocadinhos, restos, sombras, penumbras ou "retalhos" das nossas maiores relíquias. Este blog tem o nome ideal para o fim a que se destina e para a pessoa que o vai preencher com palavras. As relíquias não são peças de ouro, prata ou cobre; relíquias são preciosidades para as quais não existe medida, número ou valor. Retalhos são bocados, são restos e são amostras de grandes obras. Amostra de metros e metros de tecido que preenche uma casa, um dia, uma roupa ou um olhar. Retalhos são bocadinhos que se guardam e se misturam com outros para um dia mais tarde reencontrarmos na caixa de costura apartir da qual tudo se transforma, tudo se recria e tudo evolui. Assim será com o meu "Relíquias em Retalhos" !!!
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